domingo, 14 de junho de 2015

Profetas - Parte II - Período Assírio




Jonas

O livro de Jonas não contém dados suficientes para estabelecer uma cronologia para a narrativa. Retrata uma missão de um profeta chamado Jonas a Nínive (capital da Assíria no auge do império), que pode ter sido durante o tempo em que as relações entre Israel e a Assíria ainda não eram muito violentas.

Uma cronologia provável para o cenário da narrativa poderá ser o reinado de Jeroboão II de Israel (cerca de 790 a 750 a.C.). O livro de Reis alega que este mesmo Jonas também profetizou sobre a expansão de Israel (2 Reis 14:25), um assunto que o livro de Jonas não aborda.

Segundo o livro de Reis, Jeroboão II expandiu o território de Israel, conquistando Damasco. É provável que tenha sido auxiliado por Adad-nirari III (alegadamente pai de Tiglath-Pileser III) e daí, nesse tempo, surgir alguma afinidade com Nínive. Por outro lado, como os assírios ficaram, entretanto, muito ocupados com as suas fronteiras a norte (ataques do reino Urartu e outros), Jeroboão não lhes prestaria muita vassalagem. Portanto a relação entre Israel e a Assíria não era de subserviência e o autor do livro talvez tivesses imaginado que nesse tempo faria sentido um profeta de Israel ir pregar para a capital assíria. Por outro lado, Nínive é descrita tal como seria no auge do império assírio, ou seja, como seria uns cem anos depois do tempo de Jeroboão. E Nínive foi mesmo destruída mais tarde, mas pelos babilónios em 612 a.C., não por Yahveh.

No livro de Jonas, a personagem principal tem a missão de anunciar a destruição de Nínive, mas tem muita relutância em completar essa missão, por isso embarca num navio em sentido contrário. Na sequência de uma tempestade, os marinheiros atiram Jonas borda fora e este é engolido por um grande peixe. Três dias depois, Jonas é regurgitado e, entretanto, fica decepcionado ao perceber que Yahveh não iria cumprir a destruição que tinha anunciado. Jonas receia profetizar a destruição de Nínive se tal não vai acontecer mesmo. Receava ficar descredibilizado perante os seus seguidores.

O texto do livro de Jonas, embora enquadrado no tempo dos assírios, pode ter sido escrito posteriormente, durante o exílio babilónico (590  a 530 a.C). Pode conter uma sátira à cosmologia babilónica. O peixe que engole Jonas pode ser uma referência velada a Tiamat o monstro do caos que ameaça a criação.

Se o livro de Jonas foi redigido durante o exílio na Babilónia, contendo uma crítica velada aos babilónios, o autor talvez receasse alguma censura política/religiosa. Seria, então, natural que o autor colocasse a narrativa num cenário assírio em que Nínive serviria como uma imagem velada de Babilónia.


Amós

Amós apresenta-se aos seus leitores como alguém ligado ao mudo rural (Amós 1:1; 7:14). Na introdução de seu livro, declara que trabalhava sob os reis Uzias de Judá e de Jeroboão II de Israel.
É provável que a sua actividade se tenha desenrolado por volta de 760-750 a.C..
Seria um cidadão de Judá, mas as mensagens dirigidas ao reino de Israel. Foi para Betel, uma cidade santuário (fundado por Jeroboão I, uns 150 anos antes, que aí instalou um bezerro de ouro) do reino do norte, para entregar profecias de advertência, reprovação e condenação de Israel.
Algumas de suas mensagens eram contra as nações estrangeiras: Síria, Gaza, Fenícia, Moabe. Amom e Edom.



Oséias

O profeta Oséias era um cidadão do reino de Israel, cujo governante, Jeroboão II, é chamado pelo profeta, "o nosso rei" (Oséias 1:1; 7:5). Uma comparação entre algumas de suas profecias e os de Amos indica que Oséias era um jovem contemporâneo de Amós (comparar Oséias 4:3 com Amós 8:8; Oséias 4:15 com Amós 5:5; e Oséias 8:14 com Amós 2:5). Tendo começado seu ministério no tempo de Uzias, rei de Judá, e Jeroboão II, rei de Israel, Oséias continuou até ao tempo de Ezequias, rei de Judá. Todas as suas mensagens foram dirigidas à nação do norte.

É desafiado a casar com uma mulher adúltera chamada Gomer, para ilustrar como Yahveh tinha se casado com uma mulher infiel chamada Israel. Dessa relação tem três filhos também simbólicos; Jezreel, Lo-Ruama e Lo-Ami: Israel, não amada, não meu povo.

O livro não faz qualquer referência à queda de Samaria, que teve lugar em 722 a.C., e pode-se, portanto, concluir que a última mensagem do profeta foi dada antes da destruição de Samaria. Por estas razões o seu ministério pode ser datado de cerca de 755 (ou anterior) para cerca de 725 a.C.



Isaías

O livro original de Isaías está nos primeiros 39 capítulos da versão actual. Os restantes capítulos foram escritos posteriormente por, pelo menos, outros dois autores. Os capítulos 40 a 55, terão sido escritos pelo segundo "Isaías", e os capítulos 56 a 66 escritos por um terceiro "Isaías".
Isaías era um profeta do reino do sul, vivendo em um período crítico de sua nação. Teve intervenção durante dois períodos importantes para Judá:
  - sob Acaz, durante a guerra entre Judá e a Síria coligada com Israel (capítulos 7-11);
  - sob Ezequias, durante um cerco de Jerusalém por Senaqueribe (capítulos 36 e 37).

Em 735 a.C. o rei Pecá de Israel e o rei Rezin da Síria conspiram para se libertarem do jugo assírio e convidam Judá a juntar-se numa coligação para resistirem ao império. O rei Acaz de Judá recusa juntar-se à coligação e, como retribuição, Pecá e Rezin atacam Jerusalém.

Isaías alega que aconselhou o rei Acaz a aguardar porque a situação resolver-se-ia com a intervenção de Yahveh. Era só uma questão de Acaz esperar e ter confiança (Isaías capítulo 7).

Mas Acaz não confiou no conselho de Isaías e pediu ajuda ao imperador Tiglat-Pileser III, que respondeu prontamente, arrasando os reinos de Israel e da Síria, mas submeteu Judá a um pesado tributo. Apesar de ter salvo o seu reinado, Acaz sofreu a humilhação pela submissão à Assíria e ficou marcado no Antigo Testamento como um traidor.

Segundo a tradição judaica, Isaías foi serrado ao meio. É possível que Hebreus 11:37 refira-se a este evento.



Miquéias

Miquéias era um profeta de Judá. Miquéias afirma que seu ministério foi no tempo dos reis Jotão, Acaz e Ezequias (capítulo 1:1). Ele era, possivelmente, um pouco mais jovem que Isaías, a cujo vocabulário e terminologia suas profecias mostram grande similaridade (comparar Miquéias 4:1-4; com Isaías 2: 2-4). Além disso, Jeremias (capítulo 26:18), citando Miquéias (capítulo 3:12), testemunha que Miquéias terá tido actividade durante o tempo de Ezequias.

Miqueias desaprova líderes injustos e reivindica o poder dos pobres contra os ricos e poderosos, e prega a justiça social contemplando um mundo pacífico centrado em Sião sob a liderança de alguém descendente da casa de David.


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