sábado, 29 de setembro de 2007

Mitos bíblicos - crença ou crendice?





É surpreendente que, ainda hoje, muitas pessoas são levadas a crer literalmente nas histórias bíblicas sobre a criação. Esta questão é importante: estas histórias fazem parte da base de um grande edifício doutrinário e sabe-se que quando se remove a base de um edifício este acaba por cair completamente. Em algumas doutrinas, crer literalmente nestes absurdos é a única maneira de se manter coesa uma teia complexa de ensinamentos.

Para muitos crentes não é relevante que as duas narrativas da criação não sejam compatíveis. Também não importa o absurdo que é uma história em que Deus cria a noite e o dia e só mais tarde é que cria o Sol para iluminar o dia. Não importa igualmente que o mesmo relato diga que as plantas foram criadas antes do Sol, não tendo em conta o fenómeno da fotossíntese!

Outros crentes das Escrituras refugiam-se na ideia que os relatos da criação são alegorias e nada mais. Mas, para estes, fica por responder se Deus realmente criou os céus, a Terra e tudo mais! Estes crentes ficam de fora da definição mais básica de divindade que a Bíblia tem para oferecer, ou seja, se o Deus que é retratado na Bíblia foi o criador de todas as coisas! Também não conseguem extrair uma regra que diga quais os textos que devem ser interpretados como alegorias e quais devem ser interpretados literalmente.

Quanto a Deus ser definido como o criador de todas as coisas, só em Génesis e em poucas passagens noutros livros do Antigo Testamento é que é referido como tal. E Yahveh é principalmente referido como o protector dos hebreus, mas esta definição de protector tribal ou étnico não é equivalente à de criador de todas as coisas, principalmente quando verificamos que este Deus entra em competição com outros povos e os seus respectivos protectores divinos.

Por outro lado, o livro de Génesis ensina que tudo foi feito para o usufruto do Homem ao qual Deus deu plenos poderes para dominar sobre toda a criação. Esta afirmação certamente contribuiu para que o Homem (pelo menos a porção da Humanidade que foi educada com base no Antigo Testamento) se afastasse da Natureza e que, ao longo dos tempos, abusasse dos recursos naturais.

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