quarta-feira, 15 de abril de 2009

Moisés, o Libertador





A revelação de Yahveh

Um dos pontos mais importantes na história de Moisés é aquele que marca o início da adoração de Yahveh por parte dos hebreus. Este Deus encontrou-se com Moisés num arbusto em permanente ignição, e revelou-lhe o seu nome: “EU SOU” (heb. Yahveh, Êxodo 3:14). Uma contradição que ocorre nesta revelação é que Deus explicou a Moisés que os antepassados já o conheciam pelo nome de El Shaddai (Deus Poderoso, em heb.) mas não pelo nome de Yahveh (Êxodo 6:3) o que contradiz o que estava escrito em Génesis, onde podemos ler que Abraão, muitos séculos antes, deu nome a uma terra em honra a Yahveh: “... chamou Abraão àquele lugar Jeová-Jiré” (Génesis 22:14).

Um episódio desconcertante durante este período de revelação, é que Yahveh tentou matar Moisés (tentou... mas não conseguiu!), aparentemente porque este não tinha circuncidado o seu filho no tempo devido. Se não fosse a rápida intervenção de Zípora, a mulher de Moisés, que apressou-se a circuncidar o filho com uma pedra afiada, Moisés teria tido uma história bem mais curta (Êxodo 4:24-26)...

O nome Yahveh

No que se refere a este nome de Deus, Yahveh, os escribas e copistas judeus consideraram-no tão sagrado que não deveriam ousar escrever o nome. Em vez de Yahveh, escreviam Adonai (Senhor). Isto levou a  frases confusas, tal como o seguinte e muito popular salmo:
Salmos 110:1 Disse o Senhor ao meu Senhor: Assenta-te à minha direita, até que eu ponha os teus inimigos por escabelo dos teus pés.
 
A frase deveria, portanto, ter sido traduzida assim: “Disse Yahveh ao meu Senhor...”.

Em português, é comum utilizar-se as designações Jeová ou Javé, mas vamos continuar a utilizar a designação Yahveh, que é das que mais se aproximam da transliteração do tetragrammaton, a grafia hebraica (aqui em caracteres modernos) deste nome divino. Estas quatro letras em hebraico, lidas da direita para a esquerda, são as seguintes: yod-he-vau-he.




A libertação dos hebreus

Na sua revelação, Yahveh desafiou Moisés a ir ao Egipto resgatar os hebreus escravizados. Moisés partiu para o Egipto com plenos poderes de Yahveh para demonstrar ao Faraó, com o propósito de convencê-lo a libertar os escravos hebreus (Êxodo 4:16; 7:1; Yahveh promove Moisés dando-lhe o título de “Deus”). As primeiras demonstrações não impressionam muito o Faraó que até consegue mostrar a Moisés que os seus mágicos conseguem igualar aquelas habilidades. Só após mais dez demonstrações, as famosas dez pragas do Egipto, é que o Faraó consentiu em libertar o povo (Êxodo, capítulos 7 a 12).

A última praga consistiu na matança do primogénito (o filho mais velho) de cada casa e daqui origina-se a tradição da Páscoa dos judeus. Nesta praga, Yahveh só pouparia os primogénitos de quem tivesse a porta de casa pintada com o sangue de um cordeiro que, previamente, teriam comido ao jantar. Na suas instruções, Yahveh detalhou pormenorizadamente como é que o cordeiro devia ser preparado e cozinhado e qual o acompanhamento: pães não fermentados. Esta é a origem tradicional da festa dos Pães Não Fermentados (ou pães ázimos), que se celebrava durante a semana a seguir ao dia de Páscoa.

Os hebreus, então, foram libertos do Egipto e atravessaram o Mar Vermelho (a referência a este mar, em hebraico, confunde-se com “mar de juncos”) para poderem estabelecer-se na terra de Canaã. Mas... ficaram muitos anos a viver em acampamentos sem terra para assentarem!

Toda esta história, pode ter sido compilada a partir de lendas de modo a criar uma história maravilhosa – o épico dos hebreus. Como hipótese, para a reconstrução da sua história verdadeira, podemos supor que os hebreus seriam um conjunto de povos (doze tribos, ou mais) que viviam em tendas, desde os tempos antigos, em redor do rio Jordão. Durante uma parte da sua história primitiva sofreram influências dos egípcios, quando estes alargaram o seu domínio até Canaã. Uma das consequências das expansões territoriais dos egípcios foi, logicamente, a submissão dos hebreus. Mas, com o enfraquecimento do Império Egípcio, os hebreus obtiveram a sua independência em dois reinos: Israel e Judá.

A investigação histórica mostra que o território de Canaã, foi quase ininterruptamente administrado pelo Egipto entre os séculos XV e XII AEC (desde a 18ª até à 20ª dinastia do Império). Por outro lado, a cronologia tradicional coloca os episódios da vida de Moisés dentro deste período histórico. Assim, o episódio sobre a fuga dos hebreus do Egipto para Canaã (uma província do Império Egípcio) mostra-se deveras absurdo.


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