terça-feira, 23 de junho de 2015

Profetas - Parte III - Período Babilónico






Rei Josias de Judá

Josias sobe ao trono de Judá por volta de 640 a.C..

Segundo o livro de Crónicas da Bíblia, durante uns trabalhos de conservação do Templo, o sacerdote Hilquias encontrou um livro que ficou identificado como sendo da autoria de Moisés e entregou-o a Safã, o escriba. Safã foi ao rei Josias e leu-lhe o livro. Quando o rei ouviu as palavras da lei, rasgou a sua roupa, e ordenou aos escribas e sacerdotes: "Consultem Yahveh sobre este livro; pois grande é o furor de Yahveh sobre nós por não terem os nossos pais feito tudo conforme este livro." (2 Cronicas 34:14-21).

A antiga tradição atribui a Moisés, no século XIV AEC, a compilação das leis no Torah, que é o mesmo que o Pentateuco ou os primeiros cinco livros do Antigo Testamento, mas só setecentos anos mais tarde, no século VII AEC, durante o reinado de Josias, é que estas leis foram “encontradas”. Isto pode ser uma pista de que a personagem de Moisés teria sido criada por ficção para sugerir que a lei judaica e o culto monoteísta a Yahveh seriam mais antigos do que na realidade.

É, portanto, provável que a personagem Moisés tenha sido desenvolvida durante o reinado de Josias. No mínimo, foi nesta época que lhe foi atribuída a autoria das leis do judaísmo. Josias, ao tomar conhecimento do conteúdo do livro de Moisés, é retratado como ficando fortemente decepcionado com o comportamento errado de toda a nação, desde o tempo dos seus antepassados. A própria Bíblia reconhece que, até ao tempo de Josias, ninguém conhecia a lei de Moisés!!!

Josias, durante o seu reinado, aproveitou o enfraquecimento da Assíria, estendendo o seu domínio para territórios da antiga Israel. Anexou o território do Norte, pertencente à Assíria desde a queda de Samaria em 722 a.C. Deixou de pagar os impostos cobrados pelos dominadores. Ao mesmo tempo, Josias promoveu a reforma religiosa. Baseado no «Livro da Lei» (provavelmente o núcleo mais antigo do livro Deuteronómio), encontrado no Templo, tentou eliminar toda a concorrência ao culto de Yahveh.

No reencontro das duas culturas, judaica e israelita, houve a necessidade de juntar e compilar as respectivas literaturas, fomentando a fusão e o sincretismo entre os cultos dos judeus e dos israelitas, com Josias a favorecer claramente o culto de Yahveh.

Com a decadência da Assíria, as relações internacionais começam a ganhar novas feições. Outros povos, ávidos de conquista e supremacia, despontam no horizonte: citas, medos, babilónios e também os egípcios que tentam ressurgir de um período decadente. Com isso, a faixa da Palestina passa, de novo, a ser palco de disputas políticas e militares.

Os babilónios, em 612 a.C., derrotam quase por completo o império assírio - o qual resiste ainda em algumas poucas cidades (Harã e Carquemish). Começa a surgir o império neo-babilónico.

Em 609 a.C., o faraó Necau II do Egipto, receando o surgimento de um novo império poderoso na região, decide enviar o seu exército para apoiar o que restava do império assírio de modo a resistir ao crescente império caldeu/babilónico. Necau pediu autorização ao rei de Judá para atravessar o seu território, mas Josias não concordou e partiu para a guerra ao encontro do exército egípcio em Megido. Josias morreu nessa batalha.



Seguiram-se cerca de três décadas em que Judá ficou encurralado entre o Egipto e a Babilónia - com a lealdade dos vários sucessores de Josias a oscilar entre estas duas potências - até que, por fim, Nabucodonosor decidiu destruir Jerusalém e deportar a elite judaica para Babilónia. Os judeus residiram aí durante cerca de setenta anos e aí construíram uma nova identidade.

Nos anos seguintes à morte de Josias, três dos seus filhos e um neto foram os últimos reis de Judá, começando com Jeoacaz (nascido com o nome Shallum) em 609 a.C..

Jeoacaz, apesar de não ser o mais velho dos filhos de Josias, era o que mais apoiantes tinha nas cortes judaicas e foi escolhido para suceder ao seu pai no trono de Judá, mas só reinou por alguns meses.

Entretanto os egípcios liderados por Necau II tentam, sem sucesso, auxiliar os assírios e libertar Harã dos babilónios. No retorno, derrotado pelos babilónios, o faraó Necau passa por Jerusalém, depõe Jeoacaz, substituto de Josias, e coloca no trono de Judá o despótico Jeoiaquim, o irmão mais velho. Com essa atitude, o faraó pretendia dar na região uma demonstração de força. Pode ser também que Necao confiasse mais em Jeoiaquim do que em Jeoacaz. Jeoiaquim ficou, assim, tributário do Egipto.

Os assírios ficaram, finalmente, encurralados em Carquemish e os egípcios foram, mais uma vez, em seu auxílio. Os babilónios derrotaram os egípcios e os assírios na batalha de Carquemish, em 605 a.C., abrindo caminho para Nabucodonosor II, filho de Nabopolassar, criar um império.

Em 605 a.C. Nabucodonosor cercou Jerusalém para obrigar Jeoiaquim a pagar-lhe tributo. Jeoiaquim passou de vassalo do Egipto para vassalo da Babilónia.

Nabucodonosor teve, posteriormente, grandes perdas em batalhas contra o Egipto. Em 601 a.C.. Jeoiaquim, observando o enfraquecimento da Babilónia, recusou-se a pagar o tributo, buscando apoio nos egípcios, o que resultou num cerco ainda mais violento a Jerusalém por parte de Nabucodonosor. Durante este cerco, em 598 a.C., Jeoiaquim morre e sucede-lhe o seu filho Jeconias. Entretanto, em 597 a.C., os babilónios entram em Jerusalém e deportam o rei Jeconias e parte da população (10.000 pessoas) para a Babilónia (2 Reis 24).

No trono de Judá ficaria Zedequias, filho de Josias e tio de Jeconias, da confiança de Nabucodonosor.

Por volta de 589 a.C., Zedequias alia-se aos egípcios e recusa pagar o tributo a Babilónia. Em resposta, Nabucodonosor cerca novamente Jerusalém, durante um ano e meio, e, em 587 a.C., irrompe pelas muralhas adentro, arrasa a cidade e deporta toda a população. Zedequias tentou fugir mas foi apanhado e os seus olhos foram-lhe arrancados antes de ser enviado para Babilónia como prisioneiro.

Perto do fim do século VI AEC, os persas vieram destroçar o império babilónico e conquistaram a simpatia dos judeus exilados. Os judeus conseguiram um regresso a Jerusalém liderados por Zorobabel, um pretenso descendente de Josias, e construiram aquilo que viria a designar-se como Segundo Templo.


Jeremias

Jeremias seria da tribo de Benjamim e originário de uma pequena cidade vizinha de Jerusalém. Embora de família sacerdotal, está ligado às tradições proféticas do Norte, e não às tradições do sacerdócio e da corte de Jerusalém. Pertencente ao mundo rural, mostra a visão dos camponeses sobre a situação do país.

Durante o reinado de Jeoiaquim (609-598 a.C.)

O povo detestava Jeoiaquim, e Jeremias critica violentamente esse rei (Jeremias 22:13-19). É dessa época o famoso discurso sobre o Templo (Jeremias 7:1-15; e capítulo 26), que quase custou a vida ao profeta.

A Babilónia surge como grande potência, sob o reinado de Nabucodonosor. Jeremias adverte os israelitas que os babilónios, em breve, invadirão o país. Por causa disso, ele é aprisionado como traidor. Ainda assim, Jeremias continua a denunciar as pessoas importantes que detêm o poder em Jerusalém: rei, ministros, profetas, sacerdotes. Em 598 a.C., o profeta confirma a sua visão: o exército babilónio estava às portas de Jerusalém. O rei Jeoiaquim morreu durante o cerco e foi substituido por seu filho Jeconias por muito pouco tempo: após mais três meses de cerco Jerusalém era invadida. Então Jeconias, juntamente com altos oficiais e outros importantes, foram levados para a Babilónia, em 597 a.C., numa primeira deportação. Zedequias, filho de Josias, tio de Jeconias, foi instalado por Nabucodonosor, para reinar em Jerusalém.

Durante o reinado de Zedequias (597-586 a.C.)

Zedequias submete-se aos babilónios, mas mostra-se indeciso. Após a primeira deportação, surge uma questão religiosa: Afinal, quem é o povo de Deus? Os desterrados na Babilónia, ou aqueles que ficaram em Judá? Jeremias nega-se a participar de uma visão simplista (capítulo 24) e coloca o assunto de um modo realista: Zedequias e a corte de Jerusalém são incapazes de salvar o povo do desastre, por isso os deportados ainda são os que podem trazer esperança, pois aprendem uma dura lição no cativeiro. Essa idéia leva Jeremias novamente para a prisão. Pressionado por seus oficiais, Zedequias tenta armar uma revolta contra a Babilónia. Avizinha-se o desastre previsto por Jeremias: Jerusalém é sitiada pelos babilónios, apenas dez anos após o primeiro cerco. Entretanto, Jeremias também vê nos camponeses uma luz salvadora (32:15). Em 587 a.C. dá-se a segunda deportação.

Após a queda de Jerusalém (586 a.C.)

Em 586 a.C., Nabucodonosor resolve destruir Jerusalém completamente: incendeia o Templo, o palácio, as casas e derruba as muralhas. Mas deixa que Jeremias fique no país. O profeta fica a viver com Gedalias, o novo governador da Judéia apontado pelo imperador.

Nesse mesmo ano, Gedalias é assassinado por um grupo antibabilónico, que se vê forçado a fugir para o Egito, obrigando Jeremias a ir com eles. Do Egipto, mais uma vez o profeta lança suas denúncias (Jeremias 40:7-44:30).

Podemos dizer que a missão de Jeremias fracassou em querer que seu povo retornasse à genuína aliança com Yahveh. Ele tornou-se uma espécie de «anti-Moisés», sendo levado para o Egipto e vendo seu povo perder as instituições e a própria terra.


Ezequiel

De acordo com a Bíblia, Ezequiel ("O poder de El") foi um sacerdote que profetizou por 22 anos durante o século VI a.C., através de visões que teve durante o exílio na Babilónia, tal como registrado no Livro com o seu nome. Terá exercido sua atividade entre os anos 593 a 571 a.C., tendo ido para a Babilónia na primeira deportação.

A comunidade, na qual ele vivia, acreditava que em breve tudo voltaria a ser como antes. Para os seus contemporâneos o projecto de Yahveh era um sistema que lhes dava segurança. Ezequiel, no entanto, suspeitava que o passado era irrecuperável, pois Jerusalém seria destruída, como se confirmou em 587 a.C..

Ezequiel escreve uma alegoria contra Israel, usando forte linguagem metafórica, em que Jerusalém é comparada com uma prostituta chamada Oolibá.
Ezequiel 23:19-21
Contudo, ela ia se tornando cada vez mais promíscua à medida que se recordava dos dias de sua juventude, quando era prostituta no Egito. Desejou ardentemente os seus amantes, cujos membros eram como os de jumentos e cuja ejaculação era como a de cavalos. Assim, Oolibá, ansiou pela lascívia de sua juventude, quando no Egito seus peitos eram afagados e seus seios virgens eram acariciados.

Segundo Ezequiel, a sociedade israelita sofria de uma doença crónica e incurável, pois havia abandonado o projecto de Yahveh em troca de uma vida luxuosa. Ele tem uma visão em que o próprio Yahveh deixa o Templo (Ezequiel 11:22-24) e abandona os rebeldes de Jerusalém.

Essa visão seria causa de ansiedade para Ezequiel, mas não de desânimo e desespero - ele acreditava que Yahveh abandonou Jerusalém mas acompanhou os exilados até Babilónia. Os exilados eram os escolhidos de Yahveh.

Para ele, o futuro seria de ressurgimento do povo israelita (capítulos 36 e 37). Com sua linguagem simbólica, Ezequiel indicava os passos para a construção do mundo novo:
 - admitir a responsabilidade pelo fracasso histórico de um sistema que se corrompeu completamente, provocando a ruína de toda a nação;
 - compreender que a simples reforma de um sistema corrompido não gera nenhuma sociedade nova; apenas reanima o velho sistema que, cedo ou tarde, acabará sempre nos mesmos vícios;
 - converter-se a Yahveh, assumindo o seu projecto, e, a partir daí, construir uma sociedade justa e fraterna, voltada para a liberdade e para a vida.

Com esse programa profético, Ezequiel vislumbrava um futuro novo: Yahveh voltaria para o meio de seu povo (Ezequiel 43:1-7), convertendo-o numa sociedade radicalmente nova onde todos poderiam participar igualmente dos bens e das decisões baseadas em relações sociais justas.

Contrariando a doutrina de Josias, que culpava os antepassados pela ira de Yahveh, Ezequiel ressaltava a responsabilidade pessoal de cada individuo como a causa do seu julgamento.

No seu livro, Ezequiel chama-se a ele próprio por "filho do homem". No Novo Testamento é assim que Jesus se intitula por diversas vezes.

Ezequiel dá origem à corrente apocalíptica (literatura baseada em revelações), antecipando-se ao livro de Daniel e ao livro do Apocalipse do Novo Testamento.

domingo, 14 de junho de 2015

Profetas - Parte II - Período Assírio




Jonas

O livro de Jonas não contém dados suficientes para estabelecer uma cronologia para a narrativa. Retrata uma missão de um profeta chamado Jonas a Nínive (capital da Assíria no auge do império), que pode ter sido durante o tempo em que as relações entre Israel e a Assíria ainda não eram muito violentas.

Uma cronologia provável para o cenário da narrativa poderá ser o reinado de Jeroboão II de Israel (cerca de 790 a 750 a.C.). O livro de Reis alega que este mesmo Jonas também profetizou sobre a expansão de Israel (2 Reis 14:25), um assunto que o livro de Jonas não aborda.

Segundo o livro de Reis, Jeroboão II expandiu o território de Israel, conquistando Damasco. É provável que tenha sido auxiliado por Adad-nirari III (alegadamente pai de Tiglath-Pileser III) e daí, nesse tempo, surgir alguma afinidade com Nínive. Por outro lado, como os assírios ficaram, entretanto, muito ocupados com as suas fronteiras a norte (ataques do reino Urartu e outros), Jeroboão não lhes prestaria muita vassalagem. Portanto a relação entre Israel e a Assíria não era de subserviência e o autor do livro talvez tivesses imaginado que nesse tempo faria sentido um profeta de Israel ir pregar para a capital assíria. Por outro lado, Nínive é descrita tal como seria no auge do império assírio, ou seja, como seria uns cem anos depois do tempo de Jeroboão. E Nínive foi mesmo destruída mais tarde, mas pelos babilónios em 612 a.C., não por Yahveh.

No livro de Jonas, a personagem principal tem a missão de anunciar a destruição de Nínive, mas tem muita relutância em completar essa missão, por isso embarca num navio em sentido contrário. Na sequência de uma tempestade, os marinheiros atiram Jonas borda fora e este é engolido por um grande peixe. Três dias depois, Jonas é regurgitado e, entretanto, fica decepcionado ao perceber que Yahveh não iria cumprir a destruição que tinha anunciado. Jonas receia profetizar a destruição de Nínive se tal não vai acontecer mesmo. Receava ficar descredibilizado perante os seus seguidores.

O texto do livro de Jonas, embora enquadrado no tempo dos assírios, pode ter sido escrito posteriormente, durante o exílio babilónico (590  a 530 a.C). Pode conter uma sátira à cosmologia babilónica. O peixe que engole Jonas pode ser uma referência velada a Tiamat o monstro do caos que ameaça a criação.

Se o livro de Jonas foi redigido durante o exílio na Babilónia, contendo uma crítica velada aos babilónios, o autor talvez receasse alguma censura política/religiosa. Seria, então, natural que o autor colocasse a narrativa num cenário assírio em que Nínive serviria como uma imagem velada de Babilónia.


Amós

Amós apresenta-se aos seus leitores como alguém ligado ao mudo rural (Amós 1:1; 7:14). Na introdução de seu livro, declara que trabalhava sob os reis Uzias de Judá e de Jeroboão II de Israel.
É provável que a sua actividade se tenha desenrolado por volta de 760-750 a.C..
Seria um cidadão de Judá, mas as mensagens dirigidas ao reino de Israel. Foi para Betel, uma cidade santuário (fundado por Jeroboão I, uns 150 anos antes, que aí instalou um bezerro de ouro) do reino do norte, para entregar profecias de advertência, reprovação e condenação de Israel.
Algumas de suas mensagens eram contra as nações estrangeiras: Síria, Gaza, Fenícia, Moabe. Amom e Edom.



Oséias

O profeta Oséias era um cidadão do reino de Israel, cujo governante, Jeroboão II, é chamado pelo profeta, "o nosso rei" (Oséias 1:1; 7:5). Uma comparação entre algumas de suas profecias e os de Amos indica que Oséias era um jovem contemporâneo de Amós (comparar Oséias 4:3 com Amós 8:8; Oséias 4:15 com Amós 5:5; e Oséias 8:14 com Amós 2:5). Tendo começado seu ministério no tempo de Uzias, rei de Judá, e Jeroboão II, rei de Israel, Oséias continuou até ao tempo de Ezequias, rei de Judá. Todas as suas mensagens foram dirigidas à nação do norte.

É desafiado a casar com uma mulher adúltera chamada Gomer, para ilustrar como Yahveh tinha se casado com uma mulher infiel chamada Israel. Dessa relação tem três filhos também simbólicos; Jezreel, Lo-Ruama e Lo-Ami: Israel, não amada, não meu povo.

O livro não faz qualquer referência à queda de Samaria, que teve lugar em 722 a.C., e pode-se, portanto, concluir que a última mensagem do profeta foi dada antes da destruição de Samaria. Por estas razões o seu ministério pode ser datado de cerca de 755 (ou anterior) para cerca de 725 a.C.



Isaías

O livro original de Isaías está nos primeiros 39 capítulos da versão actual. Os restantes capítulos foram escritos posteriormente por, pelo menos, outros dois autores. Os capítulos 40 a 55, terão sido escritos pelo segundo "Isaías", e os capítulos 56 a 66 escritos por um terceiro "Isaías".
Isaías era um profeta do reino do sul, vivendo em um período crítico de sua nação. Teve intervenção durante dois períodos importantes para Judá:
  - sob Acaz, durante a guerra entre Judá e a Síria coligada com Israel (capítulos 7-11);
  - sob Ezequias, durante um cerco de Jerusalém por Senaqueribe (capítulos 36 e 37).

Em 735 a.C. o rei Pecá de Israel e o rei Rezin da Síria conspiram para se libertarem do jugo assírio e convidam Judá a juntar-se numa coligação para resistirem ao império. O rei Acaz de Judá recusa juntar-se à coligação e, como retribuição, Pecá e Rezin atacam Jerusalém.

Isaías alega que aconselhou o rei Acaz a aguardar porque a situação resolver-se-ia com a intervenção de Yahveh. Era só uma questão de Acaz esperar e ter confiança (Isaías capítulo 7).

Mas Acaz não confiou no conselho de Isaías e pediu ajuda ao imperador Tiglath-Pileser III, que respondeu prontamente, arrasando os reinos de Israel e da Síria, mas submeteu Judá a um pesado tributo. Apesar de ter salvo o seu reinado, Acaz sofreu a humilhação pela submissão à Assíria e ficou marcado no Antigo Testamento como um traidor.

Segundo a tradição judaica, Isaías foi serrado ao meio. É possível que Hebreus 11:37 refira-se a este evento.



Miquéias

Miquéias era um profeta de Judá. Miquéias afirma que seu ministério foi no tempo dos reis Jotão, Acaz e Ezequias (capítulo 1:1). Ele era, possivelmente, um pouco mais jovem que Isaías, a cujo vocabulário e terminologia suas profecias mostram grande similaridade (comparar Miquéias 4:1-4; com Isaías 2: 2-4). Além disso, Jeremias (capítulo 26:18), citando Miquéias (capítulo 3:12), testemunha que Miquéias terá tido actividade durante o tempo de Ezequias.

Miqueias desaprova líderes injustos e reivindica o poder dos pobres contra os ricos e poderosos, e prega a justiça social contemplando um mundo pacífico centrado em Sião sob a liderança de alguém descendente da casa de David.


sábado, 6 de junho de 2015

Profetas - Parte I - Antes dos Impérios




Elias

Elias (Eliyahu, lit. "Deus é Yahveh") terá vivido no reino de Israel durante o reinado de Acabe (século IX a.C.).

De acordo com o livro dos Reis, Elias defendeu o culto de Yahveh contra a veneração do deus canaanita Baal, ressuscitou mortos, fez chover fogo dos céus, e foi levado por um redemoinho (acompanhado por uma carruagem e cavalos em chamas, ou cavalgando-os).
No Livro de Malaquias, o retorno de Elias foi profetizado "antes que venha o grande e temível dia do Senhor", o que fez dele um arauto do Messias e da escatologia nas diversas fés que reverenciam a Bíblia hebraica.

No livro dos Reis, os pontos relevantes são:
-          anuncia ao rei Acabe de Israel uma longa seca decretada por Yahveh; 
-          durante uma viagem é alimentado por corvos; 
-          em Sarefá, aloja-se na casa de uma pobre viúva, e faz com que a farinha e o azeite nunca se esgotem da sua despensa; o filho da viúva morre, entretanto, e ele ressuscita-o;
-          no monte Carmelo, desafia 450 profetas de Baal, que estavam ao serviço de Jezebel, e chacina-os;
-          a rainha Jezebel persegue-o pela morte dos seus profetas; por consequência Elias foge para Judá;
-          durante a sua fuga de quarenta dias aparece-lhe diariamente, por magia, pão acabado de cozer e água; 
-          o rei Acabe cobiça uma vinha pertencente a um homem chamado Nabote que recusa vender o terreno; Jezebel monta uma armadilha para que Nabote seja morto; Elias profetiza uma morte terível para Jezebel; 
-          o rei Acabe mostra-se arrependido e Yahveh diz-lhe, através de Elias, que já não o iria castigar, mas iria trazer desastre no reinado do seu filho
-          Elias sobe aos céus num carro de fogo com cavalos de fogo, num redemoinho; 


No cristianismo, o Novo Testamento descreve como tanto Jesus quanto João Batista foram comparados com Elias e, em determinadas ocasiões, tidos como manifestações dele; além disso, Elias aparece, juntamente com Moisés, durante a transfiguração de Jesus.

No islamismo, o Corão descreve Elias como um profeta grande e justo de Deus, que pregou intensamente contra o culto a Baal.


Contexto histórico

No século IX a.C., Omri conseguiu garantir segurança para Israel através de uma aliança obtida com o casamento de seu filho, Acabe, e a princesa Jezabel, uma sacerdotisa de Baal, filha do rei de Sídon, da Fenícia.

Como rei, Acabe permitiu o culto a Baal e que Jezabel trouxesse consigo um grande séquito de sacerdotes e profetas, tanto de Baal quanto de Asherah, para seu país. Neste contexto, Elias é apresentado (1 Reis 17:1) como "Elias, o tesbita", um forte combatente a favor do culto a Yahveh.

Quem finalmente destrói a linhagem de Omri e Acabe é o general Jeú de Ramote-Gileade, que assassina uma grande parte da família real de Israel, fundando a sua própria dinasta.



Eliseu

Eliseu foi o sucessor de Elias. No livro dos Reis, os seus pontos relevantes são:
-          usando sal mágico, purifica uma nascente de água;
-          ao ser zombado por rapazes de Betel, Eliseu amaldiçoou-os e vieram duas ursas que despedaçaram quarenta e dois dos jovens;
-          numa campanha militar de Israel, o exército estava a sofrer com uma seca, mas Eliseu previu uma inundação que permitiu aliviar a sede e previu a vitória de Israel sobre Moabe;
-          para livrar uma viúva de um credor implacável, fez com que tivesse o seu azeite grandemente multiplicado não só para pagar as dívidas mas para que tivesse com que se sustentar;
-          em agradecimento a uma mulher rica pela sua generosa hospitalidade, Eliseu fê-la engravidar do seu idoso marido; anos mais tarde, o filho morre e Eliseu resssuscita-o;
-          em Gilgal salvou os seus discípulos de uma intoxicação alimentar mortal;
-          fez um milagre de multiplicação de pães e alimentou cem homens com poucos pães;
-          curou um general sírio, Naaman, da lepra;
-          fez flutuar um machado de ferro que tinha caído na água;
-          salva o rei Jeorão de Israel das emboscadas do rei sírio Ben-Hadad; desmascara as traições de Hazael;




quinta-feira, 4 de junho de 2015

Assírios e Babilónios (Parte 6) - Império caldeu




A decadência da Assíria

No Egipto, Psamtik (Psameticus) I recupera todo o território egípcio em 654 a.C., dando início ao período de decadência da Assíria.

No reino de Judá, Josias sobe ao trono em 640 a.C.. Durante o seu reinado, assiste a um enfraquecimento da Assíria que aproveita para estender o seu domínio para territórios da antiga Israel.

O rei Assurbanipal, o último grande rei assírio, reinou durante cerca de quarenta anos (668 a 628 a.C.) e assistiu praticamente ao desmoronar de séculos da forte presença assíria no médio-oriente.

Na Assíria, a partir de 628 a.C., guerras de sucessão ao trono enfraquecem o império. Por outro lado, os babilónios aliam-se aos medos para resistir aos assírios.


Os caldeus recriam a Babilónia

Na Babilónia, o rei caldeu Nabopolassar toma o poder aos assírios a partir de 628 a.C. Em 612 a.C. destrói Nínive, a capital da Assíria. A corte assíria muda-se primeiro para Harã e depois, em 610 a.C., para Carquemish.

Em 609 a.C., o faraó Necau II do Egipto, receando o aparecimento de um novo império poderoso na região, decide enviar o seu exército para apoiar o que restava do império assírio de modo a resistir ao crescente império caldeu/babilónico. Necau pediu autorização ao rei de Judá para atravessar o seu território, mas Josias não concordou e partiu para a guerra ao encontro do exército egípcio em Megido. Josias morreu nessa batalha.



Nos anos seguintes, três filhos e um neto de Josias foram os últimos reis de Judá, começando com Jeoacaz (nascido com o nome Shallum) em 609 a.C..

Jeoacaz, apesar de não ser o mais velho dos filhos de Josias, era o que mais apoiantes tinha nas cortes judaicas e foi escolhido para suceder ao seu pai no trono de Judá.

Entretanto os egípcios tentam, sem sucesso, auxiliar os assírios e libertar Harã dos babilónios. Necau, ao voltar para o Egipto, passou por Jerusalém para depôr Jeoacaz, levando-o cativo para o Egipto, e colocar Jeoiaquim, o irmão mais velho, no trono. Jeoiaquim ficou, assim, tributário do Egipto.

Os assírios ficaram, finalmente, encurralados em Carquemish e os egípcios foram, mais uma vez, em seu auxílio. Os babilónios derrotaram os egípcios e os assírios na batalha de Carquemish, em 605 a.C., abrindo caminho para Nabucodonosor II, filho de Nabopolassar, criar um império.

Em 605 a.C. Nabucodonosor cercou Jerusalém para obrigar Jeioaqum a pagar-lhe tributo. Jeoiaquim passou de vassalo do Egipto para vassalo da Babilónia.

Nabucodonosor teve, posteriormente, grandes perdas em batalhas contra o Egipto. Em 601 a.C.. Jeoiaquim, observando o enfraquecimento da Babilónia, recusou-se a pagar o tributo, buscando apoio nos egípcios, o que resultou num cerco ainda mais violento a Jerusalém por parte de Nabucodonosor. Durante este cerco, em 598 a.C., Jeoiaquim morre e sucede-lhe o seu filho Jeconias. Entretanto, em 597 a.C., os babilónios entram em Jerusalém e deportam o rei Jeconias e parte da população (10.000 pessoas) para a Babilónia (2 Reis 24).

No trono de Judá ficaria Zedequias, filho de Josias e tio de Jeconias, da confiança de Nabucodonosor.

Por volta de 589 a.C., Zedequias alia-se aos egípcios e recusa pagar o tributo a Babilónia. Em resposta, Nabucodonosor cerca novamente Jerusalém, durante um ano e meio, e, em 587 a.C., irrompe pelas muralhas adentro, arrasa a cidade e deporta toda a população. Zedequias tentou fugir mas foi apanhado e os seus olhos foram-lhe arrancados antes de ser enviado para Babilónia como prisioneiro.

Nabucodonosor II

Nabucodonosor II (Nabu-kudurri-usur, "Nabu, protege o meu primogénito!"), filho de Nabopolassar, foi o mais conhecido rei do império caldeu ou neo-babilónico. O seu pai aproveitou a morte de Assurbanipal, por volta de 628 a.C., para tomar o controlo de Babilónia e, aliando-se aos medos e persas, recriou o antigo império babilónico. Para reforçar a aliança medo-babilónica, Nabopolassar casou o seu filho com uma princesa da Média.

Nabopolassar terminou com três séculos de vassalagem dos babilónios para os assírios. O último século de domínio assírio teria sido especialmente humilhante para os babilónios, pois a sua cidade, Babilónia, fora repetidamente devastada por Senaqueribe e Assurbanipal no processo de conter as constantes rebeliões.

Nabucodonosor adoptou o nome de um antigo rei da Babilónia que reinara de 1125 a 1104 a.C., e que fora responsável pela instituição de Marduk como deus principal de Babilónia.


Ciro da Pérsia acaba com o império caldeu

O império caldeu ou neo-babilónico dura até 539 a.C., data em que Ciro da Pérsia toma Babilónia para formar um império persa sob a dinastia aqueménida.


terça-feira, 2 de junho de 2015

Assírios e Babilónios (Parte 5) - Império assírio





Legenda:

-          reis de Judá;
-          reis de Israel;
-          reis da Síria.


Tiglath-Pileser III

Tiglath-Pileser III (Tukulti-Apil-Esharra, "confio no filho de Esharra/Ashur"), rei da Assíria, governou entre 745 e 727 a.C.. Foi um dos mais famosos comandantes da História antiga. As suas conquistas abrangeram a maior parte do mundo conhecido pelos antigos Assírios. As regiões conquistadas foram incorporadas no reino assírio, tornando-se províncias. Para prevenir rebeliões deportou grande parte das populações para outras áreas do império.

Foi responsável pela revitalização do reino assírio, tendo conquistado a Babilónia, a Síria e a Palestina. É considerado o fundador do império neoassírio.

A Assíria ocupa todo o médio-oriente

Por volta de 740 a.C., Tiglath Pileser III da Assíria ataca Israel e Menahém paga um tributo de mil talentos de prata (equivalente a 3.6 milhões de moedas de prata) para se manter no poder. O rei da Assíria, satisfeito com o tributo, retira-se (2 Reis 15).

A Assíria continua a exigir pesados tributos anuais aos reis da região em troca de paz. Em 735 a.C. o rei Pecá de Israel e o rei Rezin da Síria conspiram para se libertarem do jugo assírio e convidam Judá a juntar-se numa coligação para resistirem ao império. O rei Acaz de Judá recusa juntar-se à coligação e, como retribuição, Pecá e Rezin atacam Jerusalém. De seguida Acaz pede ajuda à Assíria, pagando-lhe tributo. Em resposta, Tiglath Pileser arrasa com Damasco, deporta a população e mata o rei Rezin. Em Israel, Tiglath dá o reino a Oséias e elimina Pecá.

Em 727 a.C., Shalmaneser V sucede o seu pai, Tiglath, no trono da Assíria e exige tributo a Oséias de Israel. Dois anos depois, Oseias alia-se a Osorkon IV do Egipto para resistir aos assírios. Shalmaneser responde arrasando com muitas cidades de Israel e deportando as populações (2 Reis 17).

Em 722 a.C. Sargão II toma o trono da Assíria ao seu irmão Shalmaneser. Continuando a política do seu irmão, cerca e destrói Samaria, procedendo à deportação da população e repovoamento com populações oriundas da mesopotâmia.

Em Judá, Ezequias, filho de Acaz, rebela-se contra a Assíria em acordo com o general (futuro faraó) Taharqa do Egipto. Em resposta, Senaqueribe, filho de Sargão, cerca Jerusalém em 701 a.C.. Ezequias capitula e Senaqueribe deixa-o continuar a ser rei de Judá em troca de maiores tributos.

Por volta de 671 a.C., Esharhadon conquista Mênfis do Egipto para os assírios e o seu filho, Assurbanipal, destrói Tebas em 664 a.C..




segunda-feira, 1 de junho de 2015

Assírios e Babilónios (Parte 4) - Israel é vassalo





Legenda:

-          reis de Judá;
-          reis de Israel;
-          reis da Síria.


A Assíria entra no cenário bíblico

Em 854 a.C. uma coligação de 12 reis, incluindo Ben-Hadad II de Aram (Síria) e Acabe de Israel defrontam Shalmaneser III da Assíria, na batalha de Qarqar. O resultado foi de grandes perdas para os dois lados da batalha.

Em 850 a.C., os reis de Israel e Judá - Acabe e Jeosafat respectivamente - partem juntos para a guerra para recuperarem a cidade de Ramote-Gileade que estava nas mãos dos sírios, mas perdem e Acabe morre na batalha (1 Reis 22).

Acabe é sucedido pelo seu filho mais velho, mas este morre numa queda da varanda do seu quarto (2 Reis 1). Outro filho de Acabe, Jeorão, assume o trono de Samaria.
Entretanto Moabe revolta-se contra Israel, mas uma coligação Israel-Judá-Edom foi travar a rebelião do rei Mesha para no fim ficarem chocados com tal desespero do rei moabita que, em aflição, sacrificou o próprio filho nas muralhas da sua cidade (2 Reis 3).

Em 843 a.C. Aram (Síria) tem um novo rei, Hazael. Por volta deste tempo, em Judá, Acazias, neto de Acabe e também neto de Jeosafat senta-se no trono em Jerusalém, continuando a aliança Judá-Israel.

Reis assírios desta época:
Período (AEC)
Rei
Descrição
859-824
Shalmaneser III
Defrontou os sírios em Qarqar. Teve o rei Jeú de Israel como seu tributário.
824-811
Shamshi-Adad V
Filho de Shalmaneser III
811-783
Adad-nirari III
Filho de Shamshi-Adad V e Shammuramat. A sua mãe deve ter sido influente no reino quando Adad ainda era muito novo para reinar. Cercou Damasco no tempo de Ben-Hadad III, em 796 AEC, o que levou à recuperação de Israel.
783-773
Shalmaneser IV
Filho de Adad-nirari III
773-755
Ashur-dan III
Filho de Adad-nirari III. O seu reinado foi marcado por duas pragas que assolaram a Assíria.
755-745
Ashur-nirari V
Filho de Adad-nirari III. Durante os seus últimos quatro anos não fez campanhas militares e foi, por isso, considerado fraco, levando a uma revolta.
745-727
Tiglath-Pileser III
Referido pelo nome Pulu. Insinuou-se como sendo filho de Adad-nirari III, mas isso pode não ser verdade. Tomou o trono na sequência de uma revolta em 746. Iniciou reformas que levaram a Assíria a ser um império.


Jeú inicia uma dinastia em Israel

Em 842 a.C., Shalmaneser III, ataca Aram (Síria) e força o rei Hazael a refugiar-se nas muralhas de Damasco enquanto muitas cidades da Síria são destruidas e pilhadas. Nesse mesmo ano, o general Jeú de Ramote-Gileade, com o acordo de Shalmaneser III, toma o poder em Israel eliminando todos os herdeiros de Acabe, incluíndo o rei Acazias de Judá que estava de visita a Israel (2 Reis 9).

Em Judá, Atália, mãe de Acazias, substitui o filho – assassinado por Jeú –  no trono. Atália planeou erradicar qualquer potencial candidato ao trono, o que incluíu tentar assassinar o seu neto, filho de Acazias. Mas o neto de Atália, Jeoás, foi protegido pelo sumo-sacerdote Jeoiada que o escondeu durante a sua infância. Sete anos mais tarde, Jeoás reclamou o trono e Atália foi executada (2 Reis 11).

Por volta de 825 a.C., ainda no reinado de Jeú, Hazael da Siria começa a atacar Israel (2 Reis 10) e, no reinado de Jeoacaz, filho de Jeú, Israel torna-se vassalo da Síria. Mais tarde, em 802 a.C., Jeoás, filho de Jeoacaz, liberta Israel (2 Reis 13).

Jeoás de Judá, mandou executar o filho de Jeoiada (o sumo-sacerdote que o tinha protegido na infância). Em 801 a.C., os sírios atacam Judá e pilham o Templo, mas retiram-se, deixando Jeoás gravemente ferido. Em retribuição pela morte do filho de Jeoiada, Jeoás é assassinado por servos (2 Reis 12; 2 Crónicas 24).

Amazias, sucessor de Jeoás em Judá, desafia Israel para a guerra de modo a disputar territórios, mas é derrotado e o tesouro do Templo pilhado. Tal como o seu pai, Amazias foi assassinado numa conspiração (2 Reis 14; 2 Crónicas 25).

Por volta de 785 a.C., Jeroboão II, da dinastia de Jeú, conquista Damasco aos sírios (2 Reis 14) com a provável ajuda de Adad-nirari III.

Período (AEC)
Rei
Descrição
842-815
Jeú
Matou Jezebel e toda a família real da casa de Acabe/Omri. Tributário de Salmaneser III da Assíria.
815-801
Jeoacaz
Filho de Jeú.
801-786
Joás
Filho de Jeoacaz.
786-746
Jeroboão II
O reino de Israel atingiu o máximo de poder.
746-745
Zacarias
Filho de Jeroboão II. Assassinado por Salum (Chalum).


A dinastia iniciada por Jeú termina após 100 anos de reinado em Israel, com o assassinato de Zacarias, filho de Jeroboão II, em 745 a.C.. Várias conspirações depois, instala-se Menahém no trono de Samaria.


A Estela de Mesha, rei de Moabe

A Pedra Moabita ou Estela de Mesha, é uma pedra com uma inscrição sobre Mesha, rei de Moabe. Esta regista a conquista de Moabe por Omri, rei de Israel. Após a morte de Acabe, filho de Omri, Mesha revolta-se depois de quarenta anos de vassalagem.

Encontrada em Díbon, a antiga capital do Reino de Moabe, encontra-se no Museu do Louvre, em Paris.

Texto da Estela de Mesha ou Pedra Moabita
Eu, Mesha, filho do Deus Qemosh, rei de Moabe, o dibonita. Meu pai reinou sobre Moabe por trinta anos e eu sucedi-lhe. E eu construí este santuário para Qemosh em Karchah, pois Ele salvou-me de todos os agressores, e fez-me triunfar sobre os meus inimigos. Omri, rei de Israel, oprimiu Moabe por muito tempo, e Qemosh irou-se com as suas agressões. Seu filho [Acabe] sucedeu-lhe e também disse "Vou humilhar Moabe". [...] 
Omri tomou a terra de Madeba, e ocupou-a e também o seu filho, por quarenta anos. E Qemosh teve misericórdia da terra no meu tempo. E eu construí Baal-meon e fiz-lhe uma cisterna, e construí Kiriathaim. E os homens de Gade habitaram no país de Atarote desde tempos antigos e o rei de Israel fortificou Atarote. Eu assaltei a muralha e capturei-a, e matei todos os guerreiros da cidade para deleite de Qemosh e Moabe, e levei os despojos para oferecer a Qemosh de Kiriate; e aí coloquei os homens de Siran e Mochrath. 
E Qemosh disse-me "Toma Nebo a Israel", e eu fui na noite e lutei contra ela desde o amanhecer até o meio do dia, e tomei-a: e matei sete mil homens mas não matei as mulheres e donzelas, mas devotei-as a Ashtar-Qemosh; e retirei as taças de Yahveh, e ofereci-as a Qemosh. E o rei de Israel fortificou Jahaz, e ocupou-a, quando fez guerra contra mim, e Qemosh expulsou-o por mim, e eu trouxe de Moabe duzentos homens, e coloquei-os em Jahaz, e tomei-a para anexar a Dibon. 
[...]


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