domingo, 23 de outubro de 2016

Rolos do Mar Morto - Introdução




Por volta de 1946, um jovem pastor beduíno procurava um cabrito que se desviou do rebanho. No decurso da sua busca, este jovem pastor entrou numa caverna, na qual provavelmente nenhum humano entrara em dois mil anos, e descobriu uns recipientes de cerâmica contendo sete pergaminhos escritos. Este foi o início da descoberta de uma biblioteca inteira, que os arqueólogos depois descobriram em dez outras cavernas.

Os Rolos do Mar Morto, também conhecidos como os Manuscritos de Qumran, são uma colecção de centenas de textos diferentes descobertos entre as décadas de 1940 e 1950 em onze cavernas nas imediações da povoação judaico-helenística de Khirbet Qumran no leste do deserto da Judeia, isto é, na moderna Cisjordânia. As cavernas estão localizadas a cerca de dois quilômetros do Mar Morto, daí que os rolos sejam conhecidos também por este este nome.

O consenso é que as datas dos rolos sejam entre o século II AEC e o século I EC. Moedas de bronze encontradas nos mesmos locais formam uma série começando com João Hircano (135-104 AEC) e continuando até à Primeira Guerra judaico-romana (66-73 EC), apoiando a datação radio-carbónica e paleográfica dos pergaminhos. Noutros locais do deserto da Judeia foram encontrados manuscritos com datas tão remotas como o século VIII AEC ou tão recentes quanto o século XI EC.

Os textos de Qumran são de grande importância histórica, religiosa e linguística, porque incluem-se entre os mais antigos manuscritos sobreviventes conhecidos das obras que fazem parte da Bíblia Hebraica, juntamente com outros escritos que provam a diversidade do pensamento religioso entre os judeus da antiguidade. São cerca de mil anos mais antigos do que o texto original da Bíblia actualmente usada pelos judeus.

Porções de todos os livros que compõem a Bíblia Hebraica foram encontrados, excepto do Livro de Ester e do Livro de Neemias. Foram identificados entre os Rolos, muitos exemplares do Livro de Isaías, de Deuteronómio e dos Salmos. O Rolo de Isaías, encontrado relativamente intacto, é mil anos mais antigo do que qualquer cópia anteriormente conhecida de Isaías.

Textos inéditos (inexistentes na Bíblia), identificados como fazendo parte dos livros de Ezequiel, Jeremias e Daniel, foram descobertos entre os Rolos. Também foram encontrados Salmos desconhecidos atribuídos ao rei David e a Josué.

Os manuscritos incluem também livros apócrifos (conteúdo bíblico não canonizado) e livros de regras da própria comunidade.

A maioria dos textos são escritos em hebraico, com alguns em aramaico (em diferentes dialectos regionais, incluindo o nabateu). O aramaico era a língua comum dos judeus da Palestina durante os últimos dois séculos a.C. e dos primeiros séculos d.C. A descoberta dos Manuscritos melhorou substancialmente o conhecimento destas duas línguas. Existem alguns textos escritos em grego.

Os artefactos têm sido tradicionalmente identificados com a antiga seita judaica dos Essénios, embora algumas interpretações recentes tenham desafiado esta associação argumentando que os pergaminhos foram escritos por sacerdotes em Jerusalém, saduceus (zadoquitas), ou outros grupos judaicos desconhecidos.

Devido ao mau estado de alguns dos pergaminhos, nem todos eles eram legíveis ou identificáveis. Aqueles que foram identificados podem ser divididos em três grupos gerais:

 - cerca de 40% deles são cópias de textos da Bíblia Hebraica (Antigo Testamento),

 - aproximadamente mais de 30% deles são textos de Período do Segundo Templo, que em última análise, não foram canonizados na Bíblia Hebraica, como o Livro de Enoch, o Livro dos Jubileus, o Livro de Tobit, a Sabedoria de Sirac, Salmos 152-155, etc ., e

 - os restantes cerca de 30% deles são manuscritos sectários, documentos anteriormente desconhecidos que lançam luz sobre as regras e crenças de um grupo particular (seita) ou grupos dentro do judaísmo, como a “Regra da Comunidade”, a “Manuscrito da Guerra”, o “Pesher (Comentário) sobre Habacuque” e a “Regra da Bênção”.


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