sábado, 15 de abril de 2017

Século I - Profetas, Messias, Bandidos e Loucos





Os Marginais

Flávio Josefo, historiador do século I, refere uma boa quantidade de personagens marginais perseguidas pelas autoridades - quer salteadores, líderes revolucionários, profetas e pretensos messias.

Segundo o relato de Josefo parece que, no primeiro século, até à destruição do Templo, surgiu um certo número de Messias prometendo alívio do jugo romano e prontamente encontrando seguidores. Ele refere-se assim (depois do relato sobre os sicários violentos e sanguinários):
"...surgiu outro grupo de vilões, de mãos mais limpas mas de intenções mais ímpias, e que arruinaram a paz na cidade não menos do que os assassinos [os sicarii]. Burlões e impostores, promovendo mudanças revolucionárias sob o pretexto da inspiração divina, convenceram as gentes a agirem como loucas e conduziram-nas para o deserto convencidas de que Deus aí lhes mostraria sinais de libertação" (Guerra dos Judeus II.13.4; Antiguidades Judaicas XX.8.6).

Alguns líderes sectários ou marginais do século I referidos por Flávio Josefo:

-       6 EC - Judas Galileu (ou de Gamala, nos montes Golã) liderou uma revolta quando a Judeia e Samaria passaram a ser governadas directamente por Roma; o novo governador Coponius, sob o procurador Quirinius, impôs novas taxas gerando a revolta; Josefo associa este nome à filosofia ultra-nacionalista dos zelotas.

-       35 EC - João Baptista, profeta e líder religioso, considerado Messias pelos seus seguidores; morto por Herodes Antipas; é dos poucos lideres sectários elogiados por Josefo (Antiguidades Judaicas XVIII.5.2).

-       44 EC - Teudas, que alegava ser um profeta, apareceu e exortou o povo a segui-lo com seus pertences ao Jordão; prometeu que abriria caminho no rio dividindo-o em dois, imitando Moisés no mar Vermelho; o governador Cuspius Fadus enviou uma tropa de cavaleiros em busca dele e seu bando, matou muitos deles, e tomou outros cativos, decapitando Teudas (Antiguidades Judaicas XX.5.1).

-       50 EC - Eleazar, salteador que actuou na Judeia durante vinte anos, desde a década de 30 EC, foi capturado por Antónius Félix (Guerra dos Judeus II.13.3).

-       55 EC - "O Egípcio", um alegado profeta, reuniu 30.000 adeptos, convocando-os para o Monte das Oliveiras, em frente a Jerusalém, prometendo que, a seu comando (imitando Josué em Jericó), os muros de Jerusalém cairiam e que ele e seus seguidores se apoderariam da cidade; o governador Antónius Félix, confrontou militarmente esta multidão; o profeta escapou, mas os que estavam com ele foram mortos ou capturados, e a multidão dispersou (Antiguidades Judaicas XX.8.6; Guerra dos Judeus II.13.5).

-       60 EC - Um outro "profeta libertador", do qual Josefo não diz o nome, prometeu ao povo "independência e alívio das suas misérias" se o seguissem até o deserto; tanto o líder quanto os seguidores foram mortos pelas tropas do governador Festus (Antiguidades Judaicas XX.8.10).

-       62 EC - Jesus ben Ananias, profetizou a destruição de Jerusalém; foi açoitado por Albinus mas libertado por ser considerado um louco inofensivo (Guerra dos Judeus VI.5.3).

-       66 EC - Menahem ben Judas, filho de Judas Galileu; ao contrário dos que prometiam que a libertação fosse alcançada por intervenção divina, Menahem era um guerreiro; quando a guerra eclodiu, ele atacou a fortaleza Massada com a sua hoste e armou os seus seguidores com as armas lá armazenadas, seguindo para Jerusalem, onde capturou a fortaleza Antónia; encorajado pelo sucesso, comportou-se como um rei e reivindicou a liderança das tropas de todas as facções envolvidas na guerra contra os romanos (Guerra dos Judeus II.17.9); a revolta dos judeus foi confrontada pelos romanos comandados por Vespasiano e Tito.

-       70 EC - mesmo quando Jerusalém já estava em processo de destruição pelos romanos, um profeta anunciou ao povo que Deus lhes ordenou que viessem ao Templo, para ali receber sinais milagrosos de sua libertação; aqueles que vieram encontraram a morte nas chamas quando os romanos incendiaram o Templo (Guerra dos Judeus VI.5.2).



Mas, no fim de contas, Josefo refere que Vespasiano, general e Imperador Romano, era o verdadeiro Messias (Guerra dos Judeus VI.5.4).

O título "Messias" (em grego, "Cristo") estava reservado a alguém que conseguisse demonstrar poder militar e administrativo e, simultaneamente, fosse reconhecido pelo poder religioso. Os judeus reconheceram, no século VI a.C., Ciro da Pérsia como sendo um Cristo.
Na literatura judaica, o Cristo idealizado seria não só rei como também sumo-sacerdote.



E... sobre Jesus Nazareno...?

E sobre Jesus Nazareno, o que disse Josefo? Existem apenas uns parágrafos muito duvidosos nas suas obras...



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